Apetecia-me ficar sentada debaixo daquela árvore, contigo. Olhar seguramente para o céu cheio de estrelas, contigo. Sinto o teu perfume, o cheiro doce que tens e está demasiado perto de mim. Encosto-me a ti como se fosse o meu ponto de encontro entre a loucura e o simples gesto. Não está nada frio, o que acabou por estranhar pois tinha acabado de entrar o inverno . Seria fácil dizer que não, apenas não gosto de ti e subitamente não controlara a minha força em não deixar-te. Própria resistência tornara-se tão inexistente, e tu ao meu lado com esse sorriso que me fazia voar no meio do céu azul escuro e brilhante que estava. Sonhara com isto, algo irreal, algo que não esperava por tua parte, tanta discussão, tanto acabamento e afinal acabara ali, naquele momento em que o passado ficara-se esquecido.
Apetecia-me beijar-te, nesses lábios que nunca desejara outrora. Não posso, não consigo, não me consigo mover , só em apoderar-me do teu olhar me bastava . Mas não, tenho que dizer mais não. A minha vontade acabou por ser contra a minha regra , tudo o que aprendera antes em tantas lições da vida não podia terminar por ser nada.
Até que sussurras ao meu ouvido , e disseste-me que tinhas contigo uma coisa para me oferecer, tiraste a mão do blusão e deste-me a mais bela flor , tanto minha preferida que tu sabias, uma túlipa de cor violenta. Meu sorriso foi instantâneo mas na altura pouco me importara na altura apesar de ter adorado o teu carinhoso presente porque não aguentara mais. Não aguentar ficar parada. Está-se impossível de controlar, o meu lábio então toca no teu, o meu cheiro interage com o teu, finalmente te sinto como nunca te sentira de perto. E tu paraste de me beijar, não quis parecer preocupada mas afastei-me e fiquei a olhar-te fixamente nos olhos. E tu nos meus, e sabia que estavas a pensar em algo. Mas não me questionei sobre isso, só me queria perder contigo...
O tempo passou em minutos e nós fixamente a olhar-nos sem o uso de palavras, até que lanças um sorriso e acabas por soltar a palavra que mais queria ouvir: amo-te- disseras tu. Eu não respondi, apenas aproximei-me de ti, olhando sempre para os teus olhos, beijei-te mesmo assim com os olhos abertos como bastasse aquilo para te responder. Fechaste os teus olhos, então os meus também os fiz.
E desesperadamente nos beijávamos debaixo daquela árvore, sobre o céu estrelado, onde o controlo perdera-se. O amor afinal existira, seria irreal ou uma ilusão real? Senti que voltara a amar, como não o fizera há tão longo tempo. Somos nós, tu e eu naquela noite e para o resto da vida? Quero tanto...
Por fim, oiço ao fundo um som bastante irritante, uma batida repetidamente impotente. Estava a estragar o belo momento que sentira, o amor que renasceu e não havia mais razão para deixara de acreditar . E o som continua, estava-me a deixar com raiva de parar aquele momento para descobrir o que acabara por ser.
Abro os olhos vagarosamente , e vejo-me acabara de acordar com o meu despertador . Não acreditara que seria um sonho, sentia-o tão real, tão perto. Mexi-me então , virando me para o outro lado da cama para desligar o despertador e encontrara a flor que me supostamente me terias dado, a túlipa violenta ,por baixo da minha almofada a tinha visto... Agora sim, questiono-me: seria mesmo um sonho?

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